Estudos na Confissão de Fé de Westminster: Dos Eternos Decretos de Deus – Parte III e IV
João Ricardo Ferreira de França
Seção III. Pelo decreto de Deus e para manifestação da sua glória, alguns homens e alguns anjos são predestinados para a vida eterna e outros preordenados para a morte eterna.
Referências bíblicas: I Tim.5:21; Mar. 5:38; Jud. 6; Mat. 25:31, 41; Prov. 16:4; Rom. 9:22-23; Ef. 1:5-6.Seção IV. Esses homens e esses anjos, assim predestinados e preordenados, são particular e imutavelmente designados; o seu número é tão certo e definido, que não pode ser nem aumentado nem diminuído.
Referências bíblicas: João 10: 14-16, 27-28; 13:18; II Tim. 2:19.
Introdução:
Bem chegamos à doutrina que este capítulo nos tem reservado. A doutrina que muitos têm rejeitado e não tem compreendido bem, no que respeita a soberania de Deus na salvação dos pecadores. Algumas verdades nós aprendemos aqui nestas seções da Confissão de Fé de Westminster.
I – O alvo da Predestinação
Qual é o objetivo da predestinação? A resposta que se daria a esta pergunta seria: escolher alguns e rejeitar a outros. Todavia, ainda que seja uma resposta verdadeira, não expressa toda a verdade sobre esta questão.
A nossa Confissão de Fé afirma que o alvo dos decretos de Deus – especialmente a predestinação – é a glória do soberano de todas as coisas. O alvo de tudo o que Deus realiza, e planeja na história é para manifestar a sua glória neste mundo!
Exaltar a majestade e a soberania de Deus tem sido o objetivo do seu decreto – Romanos 11.33-36. A riqueza da sabedoria de Deus, pois, os seus planos são insondáveis, sua mente não pode ser perscrutada pelo simples mortal, ele continua sendo Deus - nós mero homens, que simplesmente viemos a este mundo para manifestar a Sua glória em nós e apensar de nós! A implicação disso tudo é que nada que a finalidade suprema de tudo o que existe é a glória de seu criador – Deus.
II – A dupla Predestinação
O segundo aspecto que aprendemos na Confissão de Fé é que essa predestinação é dupla. O que isso significa? Bem, para alguns, Deus só predestina para a vida – e nunca para a morte – todavia, lendo a Bíblia os Puritanos ( e nós também) perceberam que a Escritura Sagrada apresenta a predestinação com duas facetas - Eleição e reprovação.
Como é isso? Imagine uma moeda de duas faces (cara e coroa) a moeda seria a predestinação e as duas faces duas ações:

A dupla predestinação abarca os seres morais criados por Deus a confissão de fé nos declara que existem:
- Anjos eleitos (2 Timóteo 5.21).
- Anjos reprovados (Judas 6).
- Homens eleitos (Romanos 9.23; Efésios 1.3-5).
- Homens reprovados (Romanos 9.22).
III – A Predestinação é imutável
Na seção de número 4 a Confissão de Fé reconhece que a predestinação é imutável. Ou seja, a soma total dos eleitos e dos reprovados não pode ser alterada. O número é tão certo e definido que não pode ser aumentado e nem diminuído. Tantos os eleitos como os reprovados não podem ser a soma total alterada em sentido algum.
- Os eleitos são conhecidos e protegidos pelo Pai e pelo filho (Jo. 14-16, 27-28).
- Os reprovados não possuem o selo de que são do Pai (2 Timóteo 2.19).